quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Nesta hora de cristal

Nesta hora de cristal,
vértice de luz que se incendeia.
Aqui suspendo um tempo transparente,
perfume de nardos, madrugada e água.
Imponderável viagem da alegria,
imaterial fulgor que me ilumina e guarda.
Sentemo-nos os dois a ver o sol.

Ad tempus


Ad tempus

Foi secretamente aquele
que em festa eu recebia
(por dentro da letargia do sono de mim).

Eu tinha apenas os olhos
admirados do amanhecer
algures junto a um rio.

Fosse a minha água, a minha aurora
e já eu estaria pronta
ao saudar da manhã.

Eu tinha apenas o medo
de olhos fechados
à beira do vazio.

Foi então o que trazia
a cálida luz e a treva
a mágica pergunta.

Fosse também a chama
o aconchego e a casa,
linho suave e pão.

Fosse ainda assim aquele que não era
seria ainda assim a vida
que devagarinho nascia comigo.

Agora cada passo
é uma viagem à beira do tempo, e aqui
renasce uma criança ao cabo do que sou.